1. Contra o nada, afirmo o ser. Rejeito toda forma de niilismo, antigo ou moderno, explícito ou disfarçado. O nada não pode ser origem, nem destino, nem horizonte do pensamento. O ser é. E é nele que a inteligência repousa e desperta. 2. A inteligência é feita para o ser. A razão não é artifício nem cárcere. É abertura para o real, participação na luz do ser. Como ensinou Tomás de Aquino, a verdade é a conformidade da inteligência ao ser, e não meramente uma construção ou convenção. 3. O finito não basta a si mesmo. Cada ente finito proclama, pela sua limitação, um apelo ao ilimitado. A mutabilidade exige a permanência. A contingência clama pela necessidade. O devir não é absoluto: é sinal de um Ato puro, de um ser plenamente atual, que tudo sustenta sem se perder no movimento. 4. O fundamento último não pode ser composto, mutável ou dividido. Por isso recuso a absolutização da história, da linguagem ou da subjetividade. Reconheço nelas o valor que possuem, mas apenas como participaçõe...
Introdução A metafísica, enquanto saber sobre o ser em sua totalidade, encontra em tempos modernos diversos desafios, principalmente a partir da crítica ao conhecimento e do ceticismo em relação aos fundamentos. Contra esse pano de fundo, Gustavo Bontadini (1903–1990) propôs uma renovação rigorosa da metafísica clássica — notadamente inspirada em Tomás de Aquino — mediante a reafirmação do fundamento absoluto do ser. Sua proposta não se limita a uma repetição do tomismo tradicional, mas consiste numa reformulação crítica e dedutiva da exigência de um ser necessário, a partir da experiência do devir e do princípio de não contradição. O ponto de partida: o devir como contradição Bontadini parte da constatação de que a filosofia só se torna necessária quando se depara com a contradição. O devir — isto é, a mudança, o surgimento e desaparecimento dos entes — se apresenta como uma figura exemplar dessa contradição: o “não-ser do ser”. Para Bontadini, o devir contém em si uma tensão lógica q...