Pular para o conteúdo principal

Definição clássica da filosofia

A filosofia, entendida como “ciência de todas as coisas por suas causas últimas adquirida à luz da razão”, é uma definição clássica que remonta à tradição aristotélico-tomista. Essa concepção destaca três aspectos essenciais:

1. Ciência – A filosofia busca conhecimento sistemático e organizado, fundado na racionalidade e na evidência, distinguindo-se da mera opinião ou crença infundada.

2. De todas as coisas – Enquanto as ciências particulares estudam aspectos específicos da realidade (como a física, que trata do movimento, ou a biologia, que analisa os seres vivos), a filosofia tem um caráter universal. Ela investiga a totalidade do ser enquanto ser, abrangendo tanto o mundo material quanto o imaterial.

3. Por suas causas últimas – Diferente das ciências empíricas, que se detêm nas causas próximas e experimentais, a filosofia se aprofunda nas causas mais fundamentais da realidade, como a existência, a essência e a finalidade das coisas. Isso inclui questões metafísicas sobre Deus, a alma, a natureza do conhecimento e da moralidade.

4. À luz da razão – A filosofia não depende da revelação divina ou da fé, mas utiliza unicamente a razão natural para alcançar o conhecimento. Isso a distingue da teologia, que parte da fé e da revelação divina.

Essa definição, influenciada por Aristóteles e São Tomás de Aquino, enfatiza a filosofia como um saber que busca compreender a realidade na sua totalidade, guiado pela razão e pelo desejo de alcançar a verdade última das coisas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Maritain e a intuição do ser

  Jacques Maritain desenvolve uma teoria peculiar sobre o conhecimento do ser, defendendo a existência de uma intuição do ser que ocorre em um nível superior de abstração. Sua posição é influenciada pelo tomismo, mas também incorpora elementos de sua própria filosofia do conhecimento. ⸻ 1. A Estrutura do Conhecimento do Ser segundo Maritain Maritain distingue três níveis na apreensão do ser: 1. O Primeiro Nível: Conhecimento Sensorial e Abstrato • Inicialmente, apreendemos o ser indiretamente, por meio das coisas concretas. • O intelecto forma o conceito de ens (ser), abstraído das realidades individuais. • Esse conceito, contudo, ainda é limitado, pois depende das representações sensíveis. 2. O Segundo Nível: Julgamento Existencial • O intelecto formula juízos existenciais como “isto é” ou “as coisas são”. • Nesse nível, há uma percepção do ser como algo que realmente existe fora da mente. • O conceito de existência emerge desse juízo, mas ainda per...

Sciacca, defensor da “interioridade objetiva”

SCIACCA, Michele Federico. L’interiorità oggettiva. A cura di Nunzio Incardona. Palermo: L’Epos, 1989. ——- Michele Federico Sciacca, filósofo italiano do século XX, elabora nesta obra uma profunda reflexão sobre a estrutura da subjetividade humana e sua abertura à verdade e ao ser, sob a perspectiva do pensamento cristão e metafísico. Ele se propõe a superar os limites tanto do racionalismo moderno quanto do ceticismo contemporâneo, propondo uma concepção de “interioridade objetiva”. ⸻ Estrutura e ideias principais 1. Introdução e crítica à modernidade filosófica Sciacca analisa o percurso da filosofia moderna: de Descartes a Hegel, passando por Kant, a razão se absolutiza e perde sua abertura ao transcendente. A verdade passa a ser vista como produto do sujeito, culminando na dissolução da metafísica na lógica. Ele também critica as correntes contemporâneas — relativismo, existencialismo problemático, historicismo — que negam a possibilidade da verdade. Contra isso, Sciacca afirma qu...