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Resumo do Primeiro Capítulo de “La Struttura Originaria”, de Emanuele Severino

O primeiro capítulo do livro “La Struttura Originaria” de Emanuele Severino tem como objetivo principal a exposição da estrutura originária, ou seja, a fundamentação última do saber e do ser. Esse capítulo é dividido em diversas seções que delineiam os elementos essenciais dessa estrutura, sua relação com a história da filosofia e o problema da negação do fundamento. A seguir, apresento um resumo detalhado.



1. A Definição Formal da Estrutura Originária


Severino define a estrutura originária como a essência do fundamento do saber. Essa estrutura não é algo simples, mas sim uma complexidade, uma unidade de múltiplos elementos. Trata-se da estrutura anapodítica do saber, ou seja, aquilo que não pode ser demonstrado porque é o princípio absoluto a partir do qual todo saber se estrutura.

A estrutura originária é a imediaticidade do saber, isto é, algo que se impõe sem necessidade de prova.

Esse saber não é um conceito abstrato, mas a estrutura real e necessária do pensamento.



2. O Fundamento e a Sua Negação


Aqui, Severino aborda um aspecto essencial da lógica aristotélica: o princípio de não contradição. Ele argumenta que a negação do fundamento pressupõe o próprio fundamento. Em outras palavras:

Para negar a estrutura originária, é necessário já reconhecê-la.

Assim, a negação do fundamento fracassa, porque, ao tentar negar, ela já o afirma implicitamente.

Esse é um ponto essencial da filosofia de Severino: qualquer negação do ser ou da verdade deve pressupor a estrutura originária, pois sem ela a própria negação não faria sentido.


Severino sugere que, para entender isso completamente, é preciso desvelar a estrutura originária, mostrando como sua negação só é possível ao aceitá-la ao mesmo tempo.



3. A História do Fundamento


Severino argumenta que, ao longo da história da filosofia, os elementos do fundamento foram mantidos, mas com variações. Ele menciona, por exemplo, a permanência do princípio de não contradição e da noção de conhecimento imediato na filosofia moderna.


No entanto, ele observa que a filosofia moderna distanciou-se da compreensão plena da estrutura originária, pois:

Reduziu o fundamento ao conhecimento gnoseológico, isto é, ao problema da relação entre o pensamento e o ser, sem perceber que o próprio ser já está dado imediatamente.

Transformou o fundamento em algo “fundado”, ou seja, dependente de outra coisa, o que seria um erro.

Criou um processo de desenvolvimento histórico da filosofia, onde cada corrente tentou apresentar-se como a totalidade da verdade.


A história da filosofia, segundo Severino, não é um simples encadeamento de teorias, mas um processo de ocultação e desvelamento do fundamento.



4. O Fundamento e a Sua Relação com a História


Severino argumenta que a história da filosofia não é externa ao fundamento, mas parte dele. Isso significa que:

A história do pensamento sobre o fundamento é um elemento essencial do próprio fundamento.

A história não é simplesmente um acúmulo de erros ou acertos, mas um processo necessário de explicitação da verdade.

A verdade do fundamento não pertence apenas ao passado, mas também ao futuro, pois o fundamento inclui todas as suas possíveis manifestações.


Isso leva a uma conclusão importante: o fundamento do saber não é algo que pode ser substituído ou superado, pois ele já contém todas as suas variações possíveis.



5. A Formulação do Juízo Originário


Severino propõe um juízo originário, que é a afirmação fundamental do saber:


“O pensamento é o imediato.”


Ou, de forma mais detalhada:


“Tudo o que é conhecido imediatamente, é o imediato.”


Esse juízo é a base absoluta do conhecimento, pois ele já inclui a estrutura originária do ser e do saber.



6. A Discursividade e a Estrutura do Juízo Originário


Aqui, Severino explica que o juízo originário não precisa ser demonstrado, pois ele já está presente no próprio ato de pensar. No entanto, há um problema:

A discursividade (o processo de explicar e argumentar) não pode substituir a verdade imediata do juízo originário.

O discurso é necessário para comunicar a verdade, mas a verdade não depende do discurso.


Isso significa que o conhecimento verdadeiro não precisa ser construído por raciocínios, pois ele já se impõe imediatamente à razão.



7. O Conceito de Filosofia e as Outras Filosofias


Severino argumenta que, originariamente, há apenas uma filosofia verdadeira: a que expressa a estrutura originária. Ele afirma que:

Todas as outras filosofias que negam a estrutura originária são, na verdade, manifestações da mesma verdade negada.

Assim, a única filosofia verdadeira é aquela que reconhece a estrutura originária do saber e do ser.


Isso significa que não há muitas filosofias verdadeiras, mas apenas variações de uma mesma estrutura que, ao tentar negá-la, acabam reafirmando-a.



8. Conclusão: A Filosofia como Retorno à Verdade Originária


O primeiro capítulo termina com a ideia de que a filosofia não deve buscar novas fundamentações, mas retornar à verdade originária que já está dada no ser. Essa verdade é necessária e inegável, pois mesmo a sua negação já a confirma.


Severino sugere que o desenvolvimento da filosofia ocidental se afastou dessa verdade e que sua tarefa agora é redescobri-la e reafirmá-la.



Resumo Final


O primeiro capítulo de “La Struttura Originaria” apresenta a ideia central da obra: existe um fundamento absoluto do saber, que é necessário e inegável. Severino argumenta que:

1. A estrutura originária do saber é imediata e não pode ser negada sem ser ao mesmo tempo afirmada.

2. A história da filosofia é a história do desvelamento e ocultação desse fundamento.

3. O conhecimento verdadeiro não precisa de justificações externas, pois já se impõe como imediato.

4. As outras filosofias que tentam negar essa estrutura acabam reafirmando-a.

5. A filosofia verdadeira é o reconhecimento da estrutura originária do ser e do saber.


Esse primeiro capítulo prepara o leitor para a crítica de Severino ao niilismo da tradição ocidental, que será desenvolvida nos capítulos seguintes.

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