Jacques Maritain desenvolve uma teoria peculiar sobre o conhecimento do ser, defendendo a existência de uma intuição do ser que ocorre em um nível superior de abstração. Sua posição é influenciada pelo tomismo, mas também incorpora elementos de sua própria filosofia do conhecimento.
⸻
1. A Estrutura do Conhecimento do Ser segundo Maritain
Maritain distingue três níveis na apreensão do ser:
1. O Primeiro Nível: Conhecimento Sensorial e Abstrato
• Inicialmente, apreendemos o ser indiretamente, por meio das coisas concretas.
• O intelecto forma o conceito de ens (ser), abstraído das realidades individuais.
• Esse conceito, contudo, ainda é limitado, pois depende das representações sensíveis.
2. O Segundo Nível: Julgamento Existencial
• O intelecto formula juízos existenciais como “isto é” ou “as coisas são”.
• Nesse nível, há uma percepção do ser como algo que realmente existe fora da mente.
• O conceito de existência emerge desse juízo, mas ainda permanece ligado à abstração.
3. O Terceiro Nível: Intuição do Ser
• Aqui ocorre o que Maritain chama de “transição súbita a um nível mais elevado”.
• Essa intuição não se limita a um conceito abstrato, mas capta o ser em sua pureza, despojado de qualquer determinação material.
• Ocorre apenas em certos metafísicos privilegiados, e não é acessível a todos os homens .
Para Maritain, Aristóteles teria permanecido no segundo nível, sem alcançar essa intuição direta do ser .
⸻
2. O Significado da Intuição do Ser
Maritain descreve a intuição do ser como uma experiência quase mística e filosófica ao mesmo tempo :
• Não se trata de um mero conceito lógico, mas de uma percepção imediata do ser enquanto ser.
• Quem atinge essa intuição percebe o ser em sua ilimitada amplitude, descobrindo nele os atributos transcendentais (unidade, verdade, bondade).
• A intuição revela a analogia do ser, isto é, como diferentes graus de ser se relacionam entre si e com o Ser Absoluto, Deus.
Para Maritain, essa experiência é rara e ocorre apenas com aqueles que possuem um intelecto metafísico altamente desenvolvido .
⸻
3. A Crítica de Gilson
Étienne Gilson se opõe à tese de Maritain e rejeita a ideia de uma intuição direta do ser :
• Para Gilson, o ser só pode ser conhecido através da distinção entre essência e existência, e não por meio de uma intuição especial.
• Ele argumenta que o intelecto humano conhece o ser apenas no juízo existencial, e qualquer intuição do ser seria apenas uma intuição de um conceito abstrato, sem referência direta à realidade .
• Para Gilson, o pensamento tomista autêntico exige um processo racional, e não uma súbita iluminação intelectual.
⸻
4. Implicações da Posição de Maritain
A teoria de Maritain tem consequências importantes para a metafísica:
• Ela reforça o caráter transcendente da metafísica, enfatizando que seu verdadeiro objeto (o ser enquanto ser) só pode ser plenamente captado por meio de uma experiência intuitiva superior.
• Sua visão cria uma hierarquia no conhecimento do ser, sugerindo que apenas alguns filósofos têm acesso à compreensão plena da realidade.
• Por outro lado, sua tese pode ser criticada por afastar-se da metodologia tomista tradicional, que enfatiza a importância do julgamento racional em vez da intuição pura.
⸻
Conclusão
A intuição do ser, segundo Maritain, não é um simples conceito, mas um contato direto e imediato com o ser enquanto tal. Essa visão gera um debate dentro da tradição tomista, especialmente com Gilson, que defende uma abordagem mais racional e baseada na distinção entre essência e existência.
______
Texto elaborado com a ajuda da IA a partir de um texto de Leo Elders, METAPHYSICS OF BEING OF ST. THOMAS AQUINAS in a Historical Perspective

Comentários
Postar um comentário